CLICK HERE FOR BLOGGER TEMPLATES AND MYSPACE LAYOUTS »

Saturday, December 18, 2010

Cumplicidade

No quoditiano, o Forum é como uma grande ágora onde tanto advogados de escritórios diversos quanto aqueles que trabalham por conta própria, "no peito e na raça" circulam incessantemente. Independentemente de toda essa mistura, é incrível o companheirismo que temos uns com os outros. 

Trabalho sozinha, com meus processos e meus clientes, sempre dando conta de todos os imprevistos. Como não tenho estagiários, às vezes, é necessário enfrentar longas filas para protocolar petições ou para ser atendida em uma serventia. E se não fosse os papos batidos e olhares trocados nesses momentos enfadonhos, presumo que o trabalho no contencioso seria mais árido do que já é. 

Quinta - feira, última semana antes do recesso judiciário de fim de ano, uma fila enorme no Juizado Especial Cível da Barra da Tijuca. Um advogado pergunta se sou a última da fila, respondo que sim; instaura-se um silêncio breve, até que escuto, do mesmo cidadão, a seguinte frase:

- Juizado é fo**! 

Isso veio do nada, meio que como um desabafo. Não sei porque, em momentos assim, tenho ímpetos de rir, rir muito. Mas me segurei, olhei pra trás e dei um sorriso. Ele ficou meio desconcertado. Tentei quebrar a agressividade dele em vez de diretamente falar que ele deveria cuidar do linguajar quando se encontra em uma repartição pública, pois outras pessoas mais sensíveis (eu não me incluo nesse grupo), poderiam ficar escandalizadas. Não me incomodo com demonstrações de raiva, desde que elas  sejam genuinamente motivadas e não estejam direcionadas a mim.

Do outro lado, um cidadão na qualidade de "parte no processo descontrolada", aos brados:

- Conheço vocês de longa data, sei que não vou ver esse dinheiro tão cedo.

Nesse momento, a cumplicidade dos causídicos emerge. Nós nos olhamos, uns riem, outros ficam indignados, outros constrangidos, mas todos sabemos que o significado dessa comoção é um só: advogado não concorda com o fato de a parte poder litigar sem assistência jurídica, se ela não tem o menor conhecimento dos ritos processuais e fica surtando toda vez que vai ao cartório ver o andamento de seu processo.

É assim? Ou não é?

1 comentários:

Eduardo Santos said...

Tô contigo e não abro!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...